Aulas Magistrais de Boaventura de Sousa Santos: encerramento.
Olá,
pessoal!
Nas
últimas sextas-feiras, 18 e 25 de maio, aconteceram as exposições que encerraram
o período de aulas magistrais deste ano do professor Boaventura de Sousa
Santos. O dia 18 teve como tema: “As
cidades na encruzilhada entre a paz democrática e a exclusão abissal” e,
após o resumo da aula anterior feito em forma de rap por dois estudantes do CES,
o professor Boaventura falou sobre as questões das cidades considerando estas
como concentração de espaço e também de poder, que podem ser pensadas como um
objeto sujeito, que nos interpela, e objeto da filosofia, tema discutido por
Platão, Aristóteles e outros. Nesse sentido, o professor expôs a articulação da cidade com o poder, o que leva
à dominação moderna através do capitalismo, do colonialismo e do patriarcado, impactam na criação de
exclusões e causa a realidade de muitos: viver na cidade sem direito à cidade. Para
as epistemologias do Sul essas formas de dominação se assentam na linha abissal.
No
dia 25, o tema do encerramento foi “A arte e as Epistemologias do Sul: as
linguagens da libertação”. Igualmente à aula precedente, foi apresentado um
resumo do encontro anterior, agora pela poetisa e doutoranda do CES, Raquel Lima,
que declamou um de seus poemas. Em seguida, Boaventura toma a palavra e inicia a aula afirmando que as
epistemologias do Sul são uma
perspectiva que pode ser aplicada a todos os temas possíveis, mas a arte e a
política não precisam delas para serem discutidas. Faz um paralelo entre essas
duas temáticas, reivindicando uma maior aproximação entre ambas, pois uma
política sem arte torna-se uma política sub-humana e corrupta. A arte sem
política empobrece e vice-versa. Ao final, o professor destaca que as
epistemologias do Sul têm como tarefa a descolonização da arte. A arte como
criação do mundo alternativo de uma realidade alternativa. Boaventura
apresentou imagens e vídeos de ações artísticas para elucidar a relação que a
arte estabelece com a política, como alguns painéis de Diego Rivera.
O encerramento do ciclo das “Aulas Magistrais 2018” ocorreu na Livraria
Almedina com o lançamento do mais recente livro do professor, de nome «Pneumatóforo
– Escritos Políticos 1981 - 2018[1]»
que foi apresentado por dois doutorandos do CES/FEUC,
seguindo-se de uma pequena intervenção do autor. Com origem na botânica, “pneumatóforo” é a designação instituída
para as raízes respiratórias de plantas que se desenvolvem em locais alagadiços
onde o solo é geralmente bastante pobre em oxigênio; essas raízes partem de
outras já existentes e crescem verticalmente emergindo da água e são os seus
poros que permitem a absorção de oxigênio atmosférico. À semelhança destas
raízes, os textos incluídos neste livro foram escritos ao longo de 36 anos num
contexto diverso, porém, “o seu denominador comum foi uma falta transversal de
oxigênio: oxigênio político e cultural. A escrita é uma forma inadiável de
respiração num Zeitgeist caracterizado por um domínio cada vez mais global e
asfixiante do neoliberalismo”.
Por
fim, vale ainda aqui registrar o prolongamento das aulas que ocorria fora do
auditório da FEUC, no Casarão,
restaurante que servia de palco para o jantar e concomitante sarau com o
professor e estudantes. As duas últimas aulas foram marcadas não somente pelas
temáticas discutidas, mas também pelas conversações e intervenções artísticas
que lá ocorreram. As teorias sendo debatidas nas mesas, a riqueza das múltiplas dialéticas, a
integração, são os principais elementos
que tornam os “jantares pós aulas magistrais’’complementos metodológicos no
combate à epistemologia fascista/colonial. Para Carlos o momento mais esperado é
o sarau, afinal, é possível enxergar em cada intervenção artística um pouco das
epistemologias do Sul. Durante os sarais cada pessoa é convidada a recitar um
poema, música, pensamento ou reflexão, e até mesmo os mais tímidos se sentem à vontade
e passam a contribuir, voluntariamente, na construção de uma arte
intercultural, antipatriarcal e, assim,
anticolonial. Especificamente os dois últimos jantares foram os melhores, uma
vez que contou com uma maior participação de pessoas da África e do Oriente
Médio, este representado por um palestino.
Para
assistir as aulas completas acesse:
Cidades
entre a paz democrática e exclusão abissal:
https://www.facebook.com/AliceProjectCES/videos/1858234364221465/?hc_ref=ARTc_Yx1Um9jtG4EdHsAuFGoR3JNBZ1-fwewFGxmmzrcUQc-cxtWiLpwOEpG9htqpOU
Arte
e Epistemologias do Sul:
https://www.facebook.com/AliceProjectCES/videos/1865876653457236/?hc_ref=ARQFGHHcdNhWZnsUY62n2KgbiaaU-0gW4P-v5UrCy_Gykysl18VvPcxn69612zcylyU
Foi
disponibilizado também um link do Google
Drive para que as pessoas pudessem apresentar contribuições, textos,
referências e trabalhos criando um espaço colaborativo de compatilhamento de
informações: goo.gl/pUfLNG
Abraços
Carlos,
Jacira e Natália



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