Seminário: Ecologia de Saberes: ecologia, política, saúde e conhecimentos alternativos

No dia 19 de outubro aconteceu no CES (Centro de Estudos Sociais) o primeiro encontro que inaugura o Ciclo de Seminários “Oficinas das Epistemologias do Sul,”  que decorre entre outubro de 2017 e junho de 2018. Serão apresentados, mensalmente, temas diversos que se relacionam com o que foi produzido no âmbito do Projeto Alice[1]. O primeiro seminário teve como tema: “Ecologia de Saberes: ecologia, política, saúde e conhecimentos alternativos” desenvolvido brevemente por Marcelo Firpo de Souza Porto, pesquisador do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, Fundação Oswaldo Cruz. A dinâmica do evento inclui, após a explanação do convidado, uma sessão de comentários que ficou a cargo de João Arriscado Nunes (CES/FEUC[2]), com abertura para perguntas e discussão no final.
Marcelo Firpo é graduado em engenharia de produção e traz a noção de economia ecológica e a relação da saúde com a ecologia que deve ser mediada pela dignidade e respeito. Dentre os temas citados na apresentação alguns nos chamaram atenção, como as monoculturas da razão metonímica que, com uma definição simplificada, ignora a possibilidade de outros tipos de racionalidade, nem considera outra compreensão do mundo que não a ocidental. Em contraponto com essa ideia, trouxe as ecologias para uma sociedade pós-abissal, relacionada à ecologia dos saberes, e nos apresentou essas noções através da perspectiva do campo da saúde aliando com o Metabolismo social.
Firpo[3] também falou sobre a importância das lutas sociais alinhadas aos processos ecológicos como forma de resistir à negação de outras formas de ser e estar no mundo, constantemente presentes no campo da ciência moderna hegemônica e consequentemente também identificáveis nas áreas ambientais e de promoção da saúde. Na apresentação a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade apareceram como possíveis soluções para “des-cientalizar” os campos de conhecimento, permitindo uma abordagem mais completa da promoção e atendimento na saúde.
Na discussão e comentários questões diversas surgiram, como a incompatibilidade dos distintos saberes e os grandes desafios a serem enfrentados para se pensar e incluir outras formas de conhecimento através da ecologia de saberes, em ambientes onde o pensamento já é tão enraizado e institucionalizado. Também foi dito que a ecologia dos saberes não poderá ser feita dentro das universidades enquanto essas instituições estiverem em seus clautros, distante das mobilizações das ruas.
De forma poética e afetuosa, Firpo deixou claro a necessidade de pensarmos e sentirmos simultaneamente; a importância da espiritualidade e a atenção que se deve dar aos opostos: tudo é e não é; ser e não ser.
 Em breve mais noticias de outros eventos promovidos aqui na Universidade de Coimbra.
Até mais,
Natalia e Jacira.






[1] Projeto de pesquisa coordenado por Boaventura de Sousa Santos que pretende repensar através das Epistemologias do Sul o conhecimento sócio-científico.
[2] Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra
[3] Atualmente faz pós-doutorado no CES com o projeto "Ecologia, Política e Promoção Emancipatória da Saude: Reflexões Sobre o Potencial Emancipatório em Torno da Crise Socioambiental.”

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