LUTA PELA DEMOCRACIA BRASILEIRA


#LULALIVRE
#MARIELLEPRESENTE
Este foi um chamado do Coletivo “Vozes Importunas” para denunciar os ataques à democracia e aos direitos humanos na sociedade brasileira. O evento aconteceu nesta segunda, 16 de abril, aos pés da Igreja da Santa Cruz, na Praça 8 de maio, aqui em Coimbra.




Diversos professores da universidade, notadamente do CES, simpatizantes, muitos estudantes de diversas partes do mundo (Portugal, Espanha, México, Colômbia, Argentina, EUA, Inglaterra, África, etc) atenderam a convocação e usaram este momento para solidarizar-se com o povo brasileiro. Mais que isso, o espaço foi muito bem utilizado para denunciar os retrocessos ocorridos no Brasil desde o afastamento de Dilma Roussef da presidência da República, há exatos dois anos. Também foram cobradas informações acerca dos assassinatos de Marielle Franco e do seu motorista Anderson, ocorridos há um mês e que seguem sem punição. Reivindicou-se a libertação do ex-presidente Lula bem como a realização de eleições livres e democráticas.


Um representante do partido de esquerda português, José Pureza, manifestou sua indignação e apoio à luta em questão. Docentes do CES, dentre eles Teresa Cunha, Ana Cristina Santos e Gaia Giuliani solicitaram um momento para expressarem suas análises acerca do momento brasileiro atual.

Ao final de cada fala foram gritadas palavras de ordem: “Fora Temer!”; “A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura e ainda apóia!”, “Marielle presente!”; “Lula livre, Marielle vive!”, “Fascistas, golpistas não passarão!”. Esta última foi iniciada pelo prof. Boaventura Santos que teve sua fala interrompida por uma mulher, ao que parece de origem brasileira, que passava por detrás das pessoas que participavam do ato, e começou a bradar, enraivecida, “Lula tem que ficar preso mesmo”, momento em que toda a comunidade militante virou-se para ela e repetia num forte coro: “Fascistas, golpistas não passarão!”. Ela resistiu por alguns minutos expressando sua indignação com Lula e, logicamente, conosco que estávamos ali. Após a partida da mulher, Boaventura retomou sua fala destacando a importância de lutarmos de forma respeitosa e que situações como a que ocorreu aqui podem acontecer e isso é parte da democracia. Ressaltou, entre tantas noticiais muito ruins que chegam do Brasil, duas situações que avalia como positivas. A primeira é a recente ocupação do triplex do Guarujá, que é atribuído a Lula, pelo movimento Povo Sem Medo. A outra é o importante papel das mídias alternativas e independentes como o trabalho feito por um jornalista que aqui estava, pois a imprensa brasileira, após a prisão de Lula, fala “apenas de receita de bolos e de flores”. Apesar dos riscos que correm hoje os brasileiros que lutam pela democracia, Boaventura nos deixou um apelo: “Tem que haver resistência pacífica, organizada nas instituições e nas ruas. Não desanimem!” De forma muito carinhosa ofertou, simbolicamente, ao Brasil, galhos de alecrim. 
   
 Na parte final do evento a palavra foi franqueada aos presentes, momento em que Carlos aproveitou para falar do benefício propiciado pelas políticas de ações afirmativas nas universidades brasileiras e do seu estar aqui a partir do Programa Abdias Nascimento que oportuniza ao público afrodescendente realizar seus estudos em universidades renomadas, como o é a Universidade de Coimbra.



Participar desses momentos nos alerta para o quanto a luta é árdua e os caminhos são tortuosos. Todavia, o apoio internacional que aqui estamos recebendo funciona, em alguma medida, como uma espécie de conforto nessa empreitada.
Abraços,
Jacira

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