6° COLÓQUIO INTERNACIONAL OUTROS SENTIDOS PARA NOVAS CIDADANIAS: REDUZINDO O ABANDONO ESCOLAR PRECOCE
Com o título “6° Colóquio Internacional: Outros Sentidos
para Novas Cidadanias” aconteceu, nos dias 30 e 31 de janeiro, mais um
evento promovido pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da
Universidade de Porto, também mais uma oportunidade de retornarmos à bela
cidade portuguesa.
O principal objetivo do
colóquio foi apresentar os dados levantados pelo RESL.eu – Reducing
Early School Leaving in Europe, por eles considerado um projeto de sucesso, desenvolvido
no âmbito do Centro de Investigação e Intervenção
Educativas (CIIE). O projeto europeu – financiado pelo 7º
Programa-Quadro da União Europeia, teve a duração de cinco anos e recolheu
dados em sete países (Bélgica, Holanda, Portugal, Reino Unido, Espanha, Polónia
e Suécia) e, envolvendo também peritos da Áustria e Hungria, analisou a questão
do abandono escolar precoce (AEP) nos sistemas educativos europeus. Neste evento
procurou-se refletir e debater os resultados
e desafios colocados por esta pesquisa dentro do contexto português e também na
esfera européia.
Na conferência de abertura, Abandono
escolar precoce, conceitos e trajetórias em revisão: Caminhos possíveis para
uma cidadania alargada, sob a responsabilidade de Helena Araújo,
Coordenadora do RESL.eu em Portugal, foi abordado o AEP na sua emergência e evolução
como conceito que expressa visões políticas e educativas distintas e,
eventualmente, em tensão. Foram discutidos os distintos fatores que contribuem
para o AEP, as medidas necessárias para o combate a esse fenômeno, bem como se
interrogou o papel que as instituições educativas desempenham nesta situação.
Para efeito de definição e enquadramento, aqui o AEP ocorre quando
jovens entre 18 e 24 anos deixam a escola sem a qualificação do ensino
secundário. Esta exposição revelou a alta taxa de AEP em Portugal, que
conseguiu reduzir os índices de 38,5% em 2005 para 13,7% em 2015, e está
situado em primeiro lugar na Europa nesta questão. Eles trabalham com a meta de alcançar 10% até 2020.
Todavia houve questionamento da platéia quando foi verbalizada a existência de controvérsias nos números acima,
visto que na faixa etária de 29 anos o percentual de AEP é de 33%: um em cada
três jovens não conclui o ensino secundário, atingindo os 12 anos de ensino
obrigatório que aqui é exigido.
Em sequência ocorreram diversos painéis e mesas redondas que expuseram
os dados coletados pelo projeto, que
foi pautado em metodologia mista de pesquisa, com realização de 19.586 inquéritos
na parte quantitativa e, na parte qualitativa, 252 entrevistas
com jovens e suas famílias, docentes e staff das escolas dos países envolvidos na pesquisa.
O AEP foi posicionado como um problema político e defendeu-se a
necessidade de compreendê-lo e explicá-lo em função da interação de três
objetos de análise: as disposições/capacidades, as expectativas e as
oportunidades. A húngara Julia Szalai discorreu sobre a temática em seu país, trazendo o conceito de desafetação educacional que, a partir da interação de fatores
estruturais, institucionais e pessoais, precede a saída do sistema de ensino. A
mesma relação foi apresentada pela polaca Hanna Tomaszewska, que destacou o
abandono gradual da escola, embora seu país, apresente o menor índice de AEP da
Europa: 5%, considerado um sucesso!
Foram apresentadas, como medidas compensatórias, experiências
consideradas exitosas na recondução de jovens que haviam deixado a escola, como
a “Escola Segunda Oportunidade de
Matosinhos” e “Arca Maior”, que
se destinam a dar uma resposta especializada ao AEP e à baixa qualificação de
adultos.
Um ponto relevante do colóquio foi o destaque feito pelo pedagogo e
professor Américo Peças à importância que o sentimento de afeição deve ocupar nos percursos educativos e
escolares dos sujeitos. Afeição que, para ele, implica na integralidade do ser
e que se alinha aos conceitos de complexidade e de transculturalidade. Critica
a "traição" de professores para com a profissão, a partir do momento em que se
limitam apenas à simples transmissão de dados. Da mesma forma, a escola que não
acolhe a pluralidade das vozes e dos discursos em seu interior.
A conferência de encerramento, Comunicação na escola, desvantagens e
marginalização social: fatores pedagógicos e linguísticos, ficou a
cargo de Madeleine Arnot da Universidade de Cambridge. A comunicação teve foco
no encontro pedagógico como forma de comunicação moldada pelas relações sociais
que são estabelecidas na escola. Nesse sentido, Arnot destacou como os sistemas
de comunicação podem agir negativamente sobre os estudantes que por algum
motivo não se encaixam no perfil de "bom aluno", e como tais sistemas influenciam
nos índices de AEP. Foram apresentados brevemente dados de dois projetos
realizados no Reino Unido, um com estudantes trabalhadores, e outro com
estudantes imigrantes, grupos que encontram dificuldades na adaptação no
contexto educacional normativo.
Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues
A conclusão do colóquio contou com a presença do Tiago Brandão Rodrigues,
Ministro da Educação de Portugal, que falou de alguns projetos em andamento no
país que visam a redução do AEP, assim como algumas metas a serem cumpridas.
Também participaram da mesa o Reitor da Universidade do Porto, Sebastião Feyo
de Azevedo, e novamente Helena Araújo.
Uma questão que nos fez pensar é porque um evento em Portugal, feito
para portugueses e com maioria dos convidados do país, teve a maioria das
apresentações de power point e resumos em inglês.
O evento, gratuito, contou com
tradução simultânea e coquetel de encerramento regado a vinho do Porto e
apresentação cultural da Orquestra Comunitária Mundo em Campanhã.
Até a próxima!
Jacira e Natália




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