Roda de Conversa: Programa Abdias Nascimento no CES
Olá!
No dia 24 de outubro tivemos um encontro no Centro
de Estudos Sociais (CES), instituição da qual fazemos parte na Universidade de
Coimbra, proposto pelos professores Bruno Martins e Maria Paula Menezes para
conversarmos acerca do Programa Abdias Nascimento. Além de nós, representantes
da UFBA, participaram da reunião estudantes de Minas Gerais (UFMG e UEMG),
sendo dois deles de graduação (Teatro e área de educação) e uma doutoranda em
educação. A exceção desta, que está com previsão de retorno para o próximo mês,
após seis meses aqui, os outros estudantes chegaram mais ou menos no mesmo
período que nós. Após a troca de amenidades, o encontro possibilitou falar de
nossa experiência em Coimbra, estreitar laços e compartilhar nossas ideias e
projetos. Cada um dos estudantes falou um pouco da sua linha de pesquisa,
perspectivas e como está sendo a sua adaptação ao contexto da universidade, nas
salas de aula e também como é viver em outro país. Foram relatadas algumas
dificuldades como as que podem emergir a partir da convivência entre raças e
classes sociais diferentes, as questões do frio e da alimentação e, até mesmo,
episódios negativos praticados em praxes (trotes). Por outro lado, também foram
ressaltados aspectos positivos, como conhecer pessoas do mundo e do Brasil todo
e, principalmente, o fato de poder fazer parte e usufruir da Universidade de
Coimbra. Conversar com os outros bolsistas nos permitiu entender questões da
nossa própria vivência em Portugal, além de conhecer suas propostas dentro do
Programa Abdias Nascimento.
A mobilidade transnacional acadêmica acarreta
um conjunto de transformações no aluno, principalmente na sua intepretação de
mundo, na sua visão de espaço e cultura. Durante a reunião, foi possível
assimilar alguns aspectos relatados com algumas passagens do livro de Georg
Simmel, O Estrangeiro. Em um dos trechos
do livro, o autor enfatiza que o ser humano ao movimentar-se para uma outra
região (transnacional) é configurado por uma sensação de estranhamento e da
dissociação entre o mesmo e aquele espaço, mas que, aos poucos, caso ele
consiga adaptar-se, compreenderá que com as dificuldades surgirão formas
singulares de interação. O mais interessante nesse aprendizado é que as formas,
contextos e desconfortos nos levam a criar unidades próprias de interação, fator
que ao longo do tempo vem nos tornando mais abertos a esse “novo velho mundo”
que é a academia.
A reunião criou expectativas positivas quanto
ao Programa Abdias. Esperamos que a interação entre os bolsistas possibilite
bons frutos. O professor Bruno sugeriu que fizéssemos um seminário no CES que
ainda será programado, e um dos bolsistas, estudante de teatro de Minas Gerais,
membro da Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros em Coimbra
(APEB) nos convidou para participar de reuniões e futuramente um evento sobre
negritude que será realizado na cidade.
Até a próxima,
Carlos, Natalia e Jacira.


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