Roda de Conversa Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento: deslocamentos, saberes e experiências.



Em 19/02,  fizemos parte da mesa que compôs a Roda de Conversa “Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento: deslocamentos, saberes e experiências” promovida pelo Centro de Estudos Sociais da UC, com os bolsistas do programa oriundos da UFBA, UFMG[1] E UEMG[2]. Os professores doutores Bruno Sena Martins e Maria Paula Meneses, que propuseram a realização do evento, fizeram a abertura da roda e atuaram como comentadores da temática apresentada. Destacaram a importância do estabelecimento do diálogo entre o CES e as instituições brasileiras de ensino superior. Maria Paula enfatizou que estar na universidade é uma oportunidade para mudar os paradigmas, a partir de novas experiências e novas ideias que são trazidas para o seu interior.
A roda de conversa é uma possibilidade metodológica para uma comunicação dinâmica e produtiva que se apresenta como um rico instrumento para ser utilizado como prática de aproximação entre os sujeitos no cotidiano acadêmico. Em nosso caso, a roda possibilitou a partilha das experiências vivenciadas no âmbito do intercâmbio na UC, bem com as reflexões sobre nossos planos, respeitando o tempo de dez minutos para cada um. @s estudantes mineiros discorreram sobre seus planos de estudo, com características mais teóricas. Guilherme Augusto faz o curso de Teatro na UFMG e abordou o teatro e as questões raciais a partir da experiência de Abdias Nascimento (1914 – 2011), teatrólogo e criador do Teatro Experimental do Negro.   Relacionou as “memórias traumáticas do racismo” com a sua própria trajetória nos palcos e na mobilização de atores  e atrizes negro (a)s.  Na UC Guilherme estuda as literaturas africanas de língua portuguesa. Thais Ferreira, concluinte de Pedagogia da UEMG abordou a inserção obrigatória dos estudos de História e Cultura Afro-Brasileira no ensino fundamental e médio em escolas brasileiras. Faz parte de um grupo de estudos que desenvolve ações a partir da discussão da obra de intelectuais negras, com recorte de gênero. Sua proposta na UC é conhecer experiências que relacionem as variáveis educação, gênero e raça para, posteriormente, relacioná-las com as vivências no Brasil.
Nós da UFBA nos pautamos em nossos planos de trabalho, com relato de questões apontadas pelas nossas pesquisas de campo. Carlos apresentou o Programa Abdias, os propósitos e as investigações do Observatório da vida estudantil. Fez algumas considerações acerca  dos universitários indígenas, público que estuda, com o intuito de, dentre outros, verificar a existência de um diálogo no qual seja possível conectar o conhecimento desse público com aquele que é propagado na universidade. Natália trouxe algumas reflexões acerca das políticas de ações afirmativas e como o ingresso de nov@s estudantes no contexto da UFBA tem questionado o conhecimento hegemônico que tradicionalmente circula nesse contexto. Natália ainda compartilhou com o público suas atividades desenvolvidas na pesquisa com os egressos da escola pública. Jacira expôs sua proposta e objetivos de trabalho, ilustrando a apresentação com algumas questões gerais que emergiram a partir das entrevistas realizadas com mulheres universitárias e que são reveladoras de uma série de dificuldades que desafiam a permanência e a afiliação das estudantes na universidade.
Após a breve exposição d@s estudantes prof.ª Maria Paula trouxe e o profº Bruno fizeram algumas intervenções com o fim de ampliar as questões ventiladas para, em seguida, abrir para o debate com o público presente. Profª Maria Paula questionou o papel da universidade e destacou que a questão colonial subjaz em todas as falas dos estudantes. Prof. Bruno, por sua vez, ressalta a importância da entrada de novos sujeitos no contexto universitário e como isso pode se tornar um fator gerador de conflitos e provocar novas dinâmicas nesse espaço. A platéia, formada por doutorand@s e pós-doutorand@s do Brasil, México, Colômbia,  Portugal e Espanha trouxe importantes contribuições para a discussão das políticas de ações afirmativas e dos percalços e contradições que permeiam a trajetória do público brasileiro que delas é beneficiário.




Para nós, uma boa experiência!
Abraços,
Carlos, Jacira e Natália.


[1] Universidade Federal de Minas Gerais.
[2] Universidade do Estado de Minas Gerais.

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