Olá pessoas!
Em
18 de janeiro participamos no Centro de Estudos Sociais (CES) do seminário “A violência do encontro colonial:
procurando alternativas para uma democratização profunda da história”. O evento, organizado no formato de mesa
redonda, contou com a participação dos moçambicanos Maria Paula Meneses e
Camilo de Sousa (via skype), da angolana Ana Paula Tavares, e do português Miguel
Bandeira Jerónimo e teve por objetivo discutir as histórias mais amplas
do colonialismo
para se compreender melhor o conteúdo de vários conceitos, as
suas múltiplas metamorfoses históricas e usos políticos contemporâneos.
A atividade buscou, por meio de uma abordagem
histórica, caracterizar as principais violências materiais e simbólicas
provenientes da colonização, com foco na realidade de Moçambique e de Angola. Enfatizou que a não construção de um diálogo
mais amplo acerca das lutas camponesas e pré-guerras coloniais em países da
África limitaram a construção de um panorama histórico desses conflitos que,
até os dias atuais, são pouco mencionados, até mesmo em estudos no âmbito do
estudo das teorias pós-coloniais e decoloniais.
O cineasta Camilo de Sousa,
que participou da luta pela independência de Moçambique, destacou que a violência colonial é física e também intelectual. Expôs
também o sistema diferenciado de ensino destinado aos negros na época colonial,
o que lhes trazia importantes prejuízos.
Para Carlos, dentre os
momentos e reflexões mais importantes, está a observação do professor Miguel
Bandeira quanto a sua visão das teorias pós-coloniais, concebidas como métodos
explicativos que tentavam desenvolver uma visão multifocal sobre as
‘’inovações’’ das violências coloniais, sobretudo nas instituições estatais, nas leis na manutenção colonial
intrínseca ao conhecimento epistemológico. Exemplos típicos foram demonstrados
durante sua fala como a questão das pessoas afrodescendentes que vivem em
Portugal, e a violência institucional imposta pelo estado português a estas
pessoas.
Um dos aspectos mais
interessantes desse evento foi a concepção desses temas partindo de uma
realidade atual e de distinções históricas. Na fala do professor, a Revolução de 25 de Abril de 1974, conhecida como
Revolução dos Cravos, foi desmistificada quanto a sua real importância na
independência das colônias portuguesas em África. Foram destacados a influência das ideias pan-africanistas
sobre os movimentos africanos de libertação de Angola, Moçambique e Guiné.
Maria Paula
Meneses, por fim, propõe que as diferentes fases do desenvolvimento colonial e
a violência inerente a esse processo sejam revisitadas, bem como a ruptura com
o silêncio a partir da criação de espaços para que as vozes dos sujeitos
colonizados sejam conhecidas e divulgadas.
Abraços
Carlos,
Jacira e Natália
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